Contorno facial é o desenho formado pela relação entre bochechas, mandíbula, queixo, pescoço e tecidos que sustentam a face. Com o envelhecimento, essas estruturas mudam e a linha que antes separava claramente rosto e pescoço pode ficar menos definida. O melhor tratamento depende de saber se a principal causa é flacidez, perda de volume, gordura ou uma combinação desses fatores.

Essa é uma das queixas que mais escuto no consultório.

A paciente muitas vezes não diz:

“Estou com flacidez.”

Ela diz:

“Meu rosto perdeu o desenho.”

Ou:

“Minha mandíbula não aparece mais como antes.”

“Parece que meu rosto ficou mais pesado.”

E isso é importante porque contorno facial não é sinônimo de preenchimento.

Antes de pensar em adicionar qualquer volume, precisamos entender por que aquele contorno mudou.

Por que o contorno facial muda com o tempo?

O rosto não envelhece apenas na superfície.

Pele, gordura, músculos, ligamentos e estruturas profundas se modificam ao longo dos anos.

Os tecidos da face são sustentados por um sistema complexo de fibras e estruturas de retenção. Com envelhecimento, gravidade e movimento repetitivo, pode haver maior descida dos tecidos e aparecimento de alterações como jowls, sulcos mais marcados e flacidez cervical. O estudo anatômico que você anexou descreve justamente o papel das estruturas profundas e dos tecidos de sustentação na manutenção da posição facial.

Em outras palavras:

o rosto não perde definição porque “a pele caiu” apenas.

Ele muda em várias camadas ao mesmo tempo.

A mandíbula é importante, mas não é tudo

Quando falamos em contorno facial, muita gente pensa imediatamente em mandíbula.

Ela é importante.

Mas não é a única responsável pelo desenho do rosto.

O contorno também depende de:

  • região malar;
  • queixo;
  • distribuição de gordura;
  • região submentoniana;
  • pescoço;
  • flacidez do terço inferior;
  • posição dos tecidos.

Uma mandíbula pode estar anatomicamente bem definida e ainda parecer pouco visível se os tecidos sobre ela perderam sustentação.

Por isso, simplesmente “preencher a mandíbula” nem sempre resolve.

O que são os jowls?

Jowls são aquelas pequenas bolsas ou áreas de queda de tecido que aparecem próximas à linha mandibular, principalmente ao redor da região lateral do queixo.

Eles podem dar a impressão de:

  • mandíbula quebrada;
  • rosto mais quadrado;
  • terço inferior mais pesado;
  • perda de definição entre rosto e pescoço.

O envelhecimento dos tecidos, associado à gravidade e ao movimento facial repetitivo, contribui para esse tipo de alteração.

Em muitos pacientes, é justamente o início dos jowls que faz surgir a percepção:

“Meu rosto está ficando caído.”

Contorno facial aos 30 anos

Aos 30, normalmente não estamos falando de grande perda de sustentação.

Mas pequenas mudanças podem começar.

A paciente pode perceber:

  • mandíbula discretamente menos marcada;
  • início de flacidez;
  • perda de firmeza;
  • menor qualidade da pele;
  • pequena mudança entre rosto e pescoço.

Essa é uma fase em que gosto muito de pensar em manutenção.

Não porque a paciente precisa “rejuvenescer”.

Mas porque pode ser uma boa fase para preservar.

Saiba mais como a Dermatologia Estética pode te ajudar a prevenir o envelhecimento.

E aos 40 anos?

Por volta dos 40, as mudanças ficam mais perceptíveis para muitas pessoas.

A produção e organização de colágeno e elastina diminuem com a idade, e a pele também sofre influência do fotoenvelhecimento. A revisão de envelhecimento facial mostra que essas mudanças estruturais levam a maior laxidade, afinamento e redução da resistência da pele.

É nessa fase que frequentemente começamos a perceber mais claramente:

  • jowls;
  • mandíbula menos definida;
  • flacidez no pescoço;
  • redução da sustentação do terço inferior.

E aqui a prevenção começa a fazer ainda mais sentido.

Contorno facial não é “mandíbula marcada para todo mundo”

Esse é um ponto importante.

Existe uma tendência estética de transformar contorno facial em sinônimo de um rosto muito angulado.

Não concordo com essa ideia.

Nem todo rosto precisa de uma mandíbula mais forte.

Nem todo queixo precisa ser projetado.

Nem todo paciente fica mais bonito com mais ângulos.

Definir o rosto não significa criar um formato que nunca existiu.

Muitas vezes, significa apenas recuperar parte da definição que começou a desaparecer.

Liftera para contorno facial

O Liftera é uma das tecnologias que podemos utilizar quando a principal queixa envolve perda de sustentação e flacidez leve a moderada.

Ele utiliza ultrassom focado para atingir profundidades específicas e promover remodelação de colágeno.

Tecnologias de ultrassom microfocado conseguem atuar em tecidos mais profundos sem lesionar a superfície da pele, desencadeando processos de contração e remodelação das fibras de colágeno.

No contorno facial, isso pode ser interessante em regiões como:

  • linha mandibular;
  • terço inferior;
  • região submentoniana;
  • pescoço.

A proposta não é criar volume.

É trabalhar sustentação.

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Bioestimuladores ajudam no contorno facial?

Podem ajudar, especialmente quando existe perda de firmeza e qualidade estrutural dos tecidos.

Bioestimuladores como ácido poli-L-láctico ou hidroxiapatita de cálcio podem estimular colágeno e contribuir para melhora progressiva da qualidade e sustentação da pele.

A literatura recente também descreve essas substâncias dentro de estratégias de remodelação tecidual e suporte estrutural.

Em alguns pacientes, bioestimular pode ser mais interessante do que adicionar volume.

E preenchimento?

Preenchimento pode ser extremamente útil quando existe realmente uma falta de suporte ou volume em uma área específica.

Pode fazer sentido em:

  • queixo;
  • mandíbula;
  • região malar;
  • têmporas;
  • pontos de sustentação específicos.

Mas não gosto de partir do princípio de que todo paciente com perda de contorno precisa de ácido hialurônico.

Porque existe uma diferença entre:

repor uma estrutura que falta

e

simplesmente colocar mais volume.

O objetivo deve ser melhorar proporção e suporte, não criar um rosto pesado.

Liftera ou preenchimento?

São ferramentas diferentes.

Se o problema predominante é flacidez:

Liftera pode fazer mais sentido.

Se existe perda localizada de suporte ou projeção:

preenchimento pode entrar no planejamento.

Se existe perda global de firmeza:

bioestimulador pode ter papel importante.

Em alguns casos, combinamos estratégias.

Mas sempre por uma razão.

Combinar tecnologias pode melhorar o resultado?

Pode.

Um estudo prospectivo, randomizado e split-face de 2025 avaliou ultrassom microfocado isolado de um lado da face e combinado à radiofrequência microagulhada do outro. O lado combinado apresentou melhora superior em parâmetros como textura, rugas, poros e firmeza, com alta satisfação dos pacientes após três meses.

Isso reforça uma ideia importante:

o envelhecimento ocorre em diferentes camadas.

Às vezes, uma tecnologia trabalha sustentação.

Outra, qualidade da pele.

Outra, colágeno.

E o melhor resultado pode vir justamente da combinação correta.

O pescoço interfere no contorno facial?

Muito.

É difícil falar em mandíbula sem olhar para o pescoço.

Uma paciente pode ter boa estrutura óssea, mas flacidez cervical ou submentoniana reduzir a definição do ângulo entre mandíbula e pescoço.

Por isso, trato essas regiões como continuidade anatômica.

O contorno facial não termina no queixo.

Emagrecimento também pode mudar o contorno

Outra situação muito comum é a perda de peso.

Quando existe redução importante de gordura facial, especialmente em pacientes que emagrecem rapidamente, pode haver:

  • perda de volume;
  • flacidez;
  • jowls mais evidentes;
  • linha mandibular menos definida.

Artigos recentes sobre pacientes em uso de agonistas de GLP-1 descrevem justamente perda de volume facial e flacidez, inclusive com mudança do contorno mandibular.

Nesses casos, às vezes precisamos tratar sustentação e volume separadamente.

Como preservar o contorno facial ao longo dos anos?

Não existe forma de impedir completamente o envelhecimento.

Mas podemos tentar influenciar sua evolução.

Eu gosto de pensar em três frentes:

1. Proteger a pele
Fotoproteção continua sendo uma das medidas mais importantes, porque o dano ultravioleta acelera degradação de colágeno e elastina.

2. Manter colágeno e sustentação
Com tecnologias e bioestimuladores quando houver indicação.

3. Corrigir seletivamente alterações estruturais
Com preenchimento ou outras estratégias quando realmente existir perda de suporte.

Por que pensar em um plano anual?

Porque o envelhecimento não acontece em dezembro.

Nem em um único dia.

Por isso, considero muito mais inteligente planejar ao longo do ano.

Um plano pode incluir:

  • consulta de avaliação;
  • fotografias;
  • Liftera em determinada época;
  • bioestimulador em outro momento;
  • laser ou tecnologia de qualidade da pele;
  • toxina botulínica quando houver indicação muscular;
  • revisão de skincare;
  • reavaliação periódica.

Não significa fazer tudo.

Significa ter uma estratégia.

A ideia não é rejuvenescer. É preservar.

Essa talvez seja a frase que melhor define como gosto de trabalhar.

Aos 30, 35 ou 40 anos, não penso que uma paciente precise parecer mais nova.

Ela já é jovem.

O objetivo é outro:

tentar preservar aquilo que ela tem hoje.

Contorno.

Qualidade de pele.

Sustentação.

Naturalidade.

Quando a cirurgia pode ser melhor?

Existe um limite para procedimentos não cirúrgicos.

Quando há flacidez importante, excesso relevante de pele ou grande queda dos tecidos, tecnologias e bioestimuladores não devem ser apresentados como equivalentes a uma cirurgia.

O estudo anatômico que você anexou ajuda justamente a entender por que técnicas cirúrgicas capazes de liberar e reposicionar estruturas profundas têm uma capacidade de correção diferente das intervenções não cirúrgicas.

Boa indicação também é saber quando não prometer demais.

Contorno facial na Clínica Rizzatti em Palhoça

Na Clínica Rizzatti, na Pedra Branca, em Palhoça-SC, avaliamos o contorno facial considerando:

  • anatomia;
  • estrutura óssea;
  • flacidez;
  • quantidade de gordura;
  • posição dos tecidos;
  • mandíbula;
  • queixo;
  • pescoço;
  • qualidade da pele.

A Dra. Karoline Rizzatti possui formação em Dermatologia e experiência em dermatologia estética, cosmiatria e tecnologias, e pode montar um plano de acompanhamento de acordo com a fase de vida e os objetivos de cada paciente.

Entre as ferramentas disponíveis na clínica estão:

  • Liftera;
  • bioestimuladores de colágeno;
  • preenchimentos quando indicados;
  • laser de CO₂ Dual Mode;
  • outras tecnologias para qualidade da pele.

Porque o objetivo não é desenhar um rosto novo.

É preservar aquilo que já pertence àquela pessoa.

Definir sem endurecer.
Sustentar sem pesar.
Tratar sem perder identidade.

Dra. Karoline Rizzatti
MÉDICA – CRM/SC 17360 | Dermatologia – RQE 13315

Clínica Rizzatti | Dermatologia e Saúde
Rua Rubens de Arruda Ramos, 170 – Loja 03 B – Pedra Branca
Palhoça – SC | CEP 88137-072
Contato e agendamentos: (48) 99173-5899

Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa e não substitui consulta ou avaliação médica individualizada. A indicação de tecnologias e procedimentos depende das características de cada paciente. Resultados podem variar e nenhum tratamento médico permite garantia de resultado.

Referências

  1. Minelli L, Brown CP, van der Lei B, Mendelson B. Anatomy of the facial glideplanes, deep plane spaces, and ligaments: implications for surgical and nonsurgical lifting procedures. Plast Reconstr Surg. 2024;154:95-. doi:10.1097/PRS.0000000000011078.
  2. Zargaran D, Zoller F, Zargaran A, Weyrich T, Mosahebi A. Facial skin ageing: key concepts and overview of processes. Int J Cosmet Sci. 2022;44:414-420. doi:10.1111/ics.12779.
  3. Haykal D, Hersant B, Cartier H, Meningaud JP. The role of GLP-1 agonists in esthetic medicine: exploring the impact of semaglutide on body contouring and skin health. J Cosmet Dermatol. 2025;24:e16716. doi:10.1111/jocd.16716.
  4. Wang R, Peng G, Chen Y, Shao X, Liu L, Chen T, et al. Combined novel microfocused ultrasound and microneedle fractional radiofrequency system for multilayered facial rejuvenation: a prospective, randomized, and split-face study. J Cosmet Dermatol. 2025;24:e70455. doi:10.1111/jocd.70455.