Nos últimos anos, tenho utilizado cada vez menos preenchimento facial do que utilizava no passado.

Não porque o preenchimento tenha deixado de funcionar.

Também não porque a harmonização facial tenha perdido completamente seu lugar.

O que mudou foi principalmente a maneira como eu enxergo sua indicação.

Depois de anos em que vimos rostos progressivamente preenchidos, volumes exagerados e uma tendência de repetir o mesmo padrão facial em pessoas completamente diferentes, muitas pacientes passaram a chegar ao consultório com uma preocupação muito clara:

“Eu não quero ficar com cara de harmonizada.”

E eu concordo com elas.

Na minha prática, ainda existe espaço para o preenchimento facial — mas gosto cada vez mais de utilizá-lo de maneira pontual, conservadora e integrada a um planejamento global do envelhecimento.

Às vezes, 1 ml colocado no lugar certo faz muito mais sentido do que tentar preencher o rosto inteiro.

O problema não é necessariamente a harmonização facial

O termo “harmonização facial” acabou adquirindo um significado bastante amplo.

Para algumas pessoas, ele simplesmente significa equilibrar proporções.

Para outras, passou a ser associado a:

  • mandíbulas excessivamente marcadas;
  • queixos muito projetados;
  • maçãs do rosto aumentadas;
  • lábios desproporcionais;
  • rostos progressivamente mais volumosos;
  • perda das características individuais.

Esse segundo cenário provavelmente contribuiu para o receio que vejo hoje no consultório.

Mas isso não significa que o ácido hialurônico tenha perdido sua utilidade.

A literatura continua mostrando que os preenchedores podem ser utilizados para restaurar volume, melhorar determinadas proporções, corrigir assimetrias e tratar alterações relacionadas ao envelhecimento facial.[1]

O problema começa quando o produto passa a ser o objetivo, e não a ferramenta.

Para que serve realmente o preenchimento facial?

Com o envelhecimento, o rosto não muda apenas porque a pele fica mais flácida.

Também ocorrem alterações em:

  • compartimentos de gordura;
  • estruturas ósseas;
  • ligamentos;
  • colágeno;
  • tecidos profundos;
  • proporções faciais.

Existe perda de volume em determinadas áreas e mudança na distribuição dos tecidos.[1]

Por isso, há situações em que devolver uma pequena quantidade de suporte ou volume pode melhorar bastante o equilíbrio do rosto.

O ácido hialurônico pode ser utilizado, por exemplo, em casos selecionados para:

  • queixo;
  • região malar;
  • têmporas;
  • sulcos específicos;
  • lábios;
  • contorno mandibular;
  • algumas assimetrias;
  • perdas localizadas de volume.

Mas isso não significa que todas essas regiões devam ser tratadas na mesma pessoa.

Harmonizar não é preencher todas as áreas possíveis.

O ácido hialurônico não é todo igual

Outro ponto pouco compreendido é que “ácido hialurônico” não representa um único produto com o mesmo comportamento.

Existem diferenças de:

  • concentração;
  • grau de reticulação;
  • tamanho das partículas;
  • capacidade de expansão;
  • coesividade;
  • elasticidade;
  • viscosidade.

Essas propriedades influenciam onde determinado produto funciona melhor.[1]

Um preenchimento escolhido para fornecer suporte profundo não necessariamente é o mesmo utilizado em uma região móvel ou mais superficial.

Portanto, não considero adequado pensar apenas em:

“Quantos ml vou colocar?”

Antes disso, precisamos perguntar:

onde? por quê? em qual plano? com qual produto?

Por que tenho utilizado menos preenchimento?

Porque hoje temos outras ferramentas para tratar componentes do envelhecimento que antigamente acabavam sendo abordados quase exclusivamente com volume.

Se existe flacidez, posso considerar tecnologias como o Liftera.

Se existe perda de colágeno, posso pensar em Sculptra.

Se o problema é qualidade da pele, textura e fotoenvelhecimento, podemos trabalhar com laser.

Se são rugas relacionadas à contração muscular, toxina botulínica pode fazer mais sentido.

O preenchimento entra quando existe uma verdadeira necessidade de volume, suporte ou correção de proporção.

Essa divisão evita tentar resolver tudo adicionando ácido hialurônico.

Flacidez não significa necessariamente falta de volume

Esse é talvez um dos erros mais importantes na interpretação do envelhecimento facial.

Uma paciente olha para o terço inferior e percebe:

  • sulco;
  • queda;
  • alteração mandibular;
  • tecido mais pesado.

Pode parecer intuitivo simplesmente acrescentar preenchimento.

Mas nem sempre falta volume.

Às vezes existe deslocamento dos tecidos, perda de sustentação ou flacidez.

Adicionar progressivamente produto nessas situações pode aumentar o peso facial sem realmente tratar o mecanismo principal.

É exatamente por isso que gosto de avaliar o rosto antes de decidir qual procedimento utilizar.

Nem toda sombra precisa ser preenchida.

E quando o preenchimento realmente faz diferença?

Existem situações em que gosto muito do resultado.

Uma pequena deficiência de projeção do queixo pode alterar todo o perfil.

Uma perda localizada no terço médio pode modificar a transição da pálpebra para a bochecha.

Uma assimetria pode ser suavizada.

Um lábio pode receber pequenas correções sem aumentar significativamente de tamanho.

Uma região temporal pode perder volume com o envelhecimento.

Nesses casos, pequenas quantidades bem posicionadas podem fazer uma diferença maior do que grandes volumes distribuídos pela face.

É nessa harmonização que ainda acredito.

Mais anatomia. Menos produto.

Naturalidade não significa ausência de resultado

Também existe um equívoco no sentido oposto.

Resultado natural não significa necessariamente que o tratamento não deva produzir diferença alguma.

Significa que o resultado precisa ser coerente com aquele rosto.

Eu posso melhorar um queixo sem transformar seu formato.

Posso tratar um lábio sem criar um lábio igual ao de outra pessoa.

Posso melhorar uma assimetria sem buscar uma simetria matemática impossível.

Naturalidade é preservar identidade.

Saiba mais sobre como rejuvenescer com naturalidade clicando aqui.

Por que tantas pessoas passaram a ter medo de preenchimento?

Na minha percepção clínica, existem duas razões importantes.

A primeira é a exposição a resultados exagerados.

A segunda é a maior percepção de que preenchimento também possui riscos.

Durante muito tempo, procedimentos injetáveis foram apresentados como algo extremamente simples.

Mas preenchedores são implantados em uma face que possui uma anatomia vascular complexa.

Embora a maioria das reações seja leve e transitória, complicações importantes podem ocorrer.[1,2]

A literatura descreve eventos como:

  • edema;
  • hematomas;
  • irregularidades;
  • assimetrias;
  • efeito Tyndall;
  • migração;
  • nódulos;
  • infecções;
  • reações inflamatórias tardias;
  • oclusão vascular;
  • necrose;
  • e, raramente, complicações visuais graves.[1,2]

Isso não significa que o procedimento seja inseguro.

Significa que ele deve ser tratado como procedimento médico que exige conhecimento, técnica e preparação para reconhecer complicações.

A anatomia importa

Existem vasos importantes em praticamente todas as regiões tratadas com preenchimento facial.

Algumas áreas apresentam relações anatômicas particularmente delicadas.

Uma revisão recente sobre preenchedores enfatiza justamente que compreender as zonas vasculares de risco da face é essencial para diminuir a possibilidade de complicações como necrose e perda visual.[1]

Esse conhecimento influencia:

  • plano de aplicação;
  • ponto de entrada;
  • quantidade;
  • velocidade;
  • escolha do produto;
  • técnica;
  • avaliação dos sinais durante o procedimento.

Por isso, quando penso em preenchimento, penso primeiro em anatomia.

Depois penso no produto.

Ácido hialurônico tem uma vantagem importante: pode ser dissolvido

Uma característica particularmente útil dos preenchedores de ácido hialurônico é a possibilidade de utilização da hialuronidase.

A enzima pode degradar o ácido hialurônico em situações específicas, como excesso de produto, determinadas irregularidades e algumas complicações.[1,2]

Isso não significa que todo resultado insatisfatório deva ser automaticamente dissolvido.

Precisamos primeiro identificar:

  • qual produto foi utilizado;
  • quando foi aplicado;
  • em que plano;
  • se existe inflamação;
  • se há nódulo;
  • se existe infecção;
  • se realmente existe excesso.

Mas a reversibilidade é uma característica importante do ácido hialurônico.

O excesso também é uma complicação

Quando falamos em complicações, é comum pensar apenas em situações graves.

Mas existem problemas muito mais frequentes relacionados simplesmente à quantidade ou à posição inadequada do produto.

O consenso sobre complicações de preenchimentos descreve excesso de produto, aplicação superficial e seleção inadequada do preenchedor entre possíveis causas de irregularidades e nódulos precoces.[2]

Isso reforça uma ideia que se tornou cada vez mais importante para mim:

não é porque podemos preencher que devemos preencher.

Harmonização facial não deveria criar um rosto padrão

Um dos aspectos que mais me incomoda em resultados excessivos é a perda da individualidade.

Queixos iguais.

Mandíbulas iguais.

Lábios iguais.

Maçãs do rosto iguais.

Mas pessoas não possuem a mesma anatomia.

Nem deveriam buscar o mesmo rosto.

Quando avalio uma paciente, quero entender:

  • como ela sempre foi;
  • o que mudou com o tempo;
  • o que realmente incomoda;
  • o que é característica pessoal;
  • o que vale preservar.

Às vezes, aquilo que tecnicamente poderíamos modificar é justamente o que dá personalidade ao rosto.

Harmonização facial depois dos 40

Depois dos 40 anos, tenho ainda mais cautela com a ideia de resolver o envelhecimento apenas adicionando volume.

Nessa fase podemos encontrar simultaneamente:

  • perda de colágeno;
  • flacidez;
  • alteração de sustentação;
  • mudanças musculares;
  • fotoenvelhecimento;
  • alterações de volume.

Por isso, meu planejamento pode incluir diferentes ferramentas:

toxina botulínica para rugas relacionadas ao movimento;

Liftera para sustentação;

Sculptra para bioestimulação;

laser de CO₂ para qualidade da pele;

e preenchimento facial apenas onde realmente existe necessidade de suporte ou volume.

Essa combinação frequentemente permite utilizar menos preenchimento.

Preenchimento não precisa ser o protagonista

Essa é provavelmente a maior mudança na maneira como trabalho hoje.

O preenchimento deixou de ser, para mim, o tratamento que precisa resolver todo o envelhecimento.

Ele passou a ocupar um lugar mais específico.

E considero isso positivo.

Porque quando utilizamos diferentes tratamentos para mecanismos diferentes, não precisamos exigir demais de uma única ferramenta.

Preencher menos pode exigir mais conhecimento.

Harmonização facial em Palhoça com avaliação médica

Na Clínica Rizzatti, na Pedra Branca, em Palhoça, os tratamentos faciais são planejados pela Dra. Karoline Rizzatti, médica dermatologista.

A consulta não começa pela quantidade de seringas.

Começa pela avaliação de:

  • anatomia;
  • proporções;
  • movimentação;
  • sustentação;
  • volume;
  • qualidade da pele;
  • tratamentos prévios;
  • objetivo da paciente.

Também podemos utilizar o Aura 3D como ferramenta complementar de documentação e acompanhamento facial.

O objetivo é decidir não apenas onde tratar, mas também onde não tratar.

Atendimento na Pedra Branca

A Clínica Rizzatti recebe pacientes de Palhoça e também de São José, Santo Amaro da Imperatriz, Biguaçu, Florianópolis e outras cidades da Grande Florianópolis.

O atendimento ocorre exclusivamente na Pedra Branca.

Os pacientes contam ainda com estacionamento conveniado próximo durante o período do atendimento.

Minha visão sobre harmonização facial

Continuo acreditando no preenchimento facial.

Só acredito cada vez menos em excesso.

Para mim, sua melhor indicação acontece quando existe um motivo anatômico claro para colocar uma pequena quantidade de produto em determinada região.

Não quero que uma paciente pareça “harmonizada”.

Quero que, quando exista indicação, o preenchimento ajude o rosto a ficar mais equilibrado sem chamar atenção para o procedimento.

Seu rosto não precisa contar o que você fez.

Dra. Karoline Rizzatti
MÉDICA – CRM/SC 17360 | Dermatologia – RQE 13315

Clínica Rizzatti | Dermatologia e Saúde
Rua Rubens de Arruda Ramos, 170 – Loja 03 B – Pedra Branca
Palhoça – SC | CEP 88137-072
Contato e agendamentos: (48) 99173-5899

Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa e não substitui consulta ou avaliação médica individualizada. A indicação, produto, quantidade, região, técnica e necessidade de procedimentos complementares dependem da anatomia e dos objetivos de cada paciente. Todo procedimento médico envolve riscos e resultados podem variar.